Will Financeira em liquidação: lições para o futuro dos bancos digitais
A notícia caiu como uma bomba: a Will Financeira (Will Bank) entrou em liquidação.
Se você é cliente, a primeira reação é de pânico. Sua conta está bloqueada, o cartão não passa e o Pix sumiu.
Calma. Seu dinheiro, até o limite de R$ 250 mil, está protegido pelo FGC. Este guia é o seu mapa, passo a passo e sem enrolação, para recuperar o que é seu e entender o que isso significa para o futuro dos bancos digitais.
O que aconteceu com a Will Financeira? Entenda a liquidação
Vamos direto ao ponto. No dia 21 de janeiro de 2026, o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira.
Em bom português, isso significa que o BC interveio e iniciou um processo de “fechamento” da instituição porque ela não tinha mais condições de operar de forma saudável.
Isso não é um evento isolado. A medida também afetou outras financeiras do mesmo grupo, como a Master e a Pleno, impactando um número enorme de pessoas.
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É importante frisar: a Will Financeira não é um banco completo, e sim uma “financeira”. Essa diferença é crucial e uma das grandes lições que ficam dessa história.
Meu dinheiro sumiu? O impacto imediato para clientes
O efeito da liquidação é imediato e assusta. De um dia para o outro, tudo para.
Se você tentou usar sua conta do Will Bank depois do dia 21 de janeiro, você percebeu que:
- O acesso ao aplicativo foi bloqueado.
- Seu saldo, por maior ou menor que fosse, ficou inacessível.
- O cartão de crédito ou débito Mastercard parou de funcionar.
- Não é possível fazer ou receber Pix, TEDs ou qualquer transferência.
A primeira sensação é de ter perdido tudo. Mas respire fundo. É aqui que entra o mecanismo de proteção mais importante do sistema financeiro brasileiro para o pequeno poupador.
E um ponto fundamental: se você tem conta no Nubank, C6 Bank, Inter ou outros bancos digitais maiores, nada muda para você. O problema é restrito à Will Financeira e seu grupo.
FGC em ação: Como funciona a garantia que protege seu dinheiro
Agora, a informação mais importante: o FGC (Fundo Garantidor de Créditos).
Pense no FGC como um seguro obrigatório que protege o seu dinheiro depositado em bancos e financeiras. Se a instituição quebra, como aconteceu com a Will, ele te devolve o valor até um certo limite.
O limite atual é de R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira.
Isso significa que se você tinha R$ 100, R$ 10 mil ou até R$ 250 mil na sua conta Will, você receberá 100% desse valor de volta.
A cobertura do FGC vale para os produtos mais comuns que as pessoas tinham no Will Bank, como:
- Depósitos em conta corrente ou conta de pagamento.
- Saldos em conta poupança.
- Investimentos como CDBs (Certificado de Depósito Bancário).
- LCIs e LCAs (Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio).
Essa garantia existe justamente para evitar um pânico generalizado e proteger o cidadão comum. O processo para receber, hoje em dia, é todo digital e feito pelo celular.
Passo a passo: Como receber seu dinheiro do FGC pelo celular
Chega de teoria. Vamos à prática. Para pedir seu dinheiro de volta, você só precisa do seu celular e seguir estes passos. Não é preciso contratar ninguém nem pagar nenhuma taxa.
Baixe o aplicativo oficial do FGC: Procure por “App FGC” na sua loja de aplicativos (Google Play para Android ou App Store para iPhone). Cuidado com apps falsos! O oficial é desenvolvido pelo Fundo Garantidor de Créditos.
Faça seu cadastro: Abra o aplicativo e siga as instruções. Você precisará informar seus dados básicos, como CPF, e-mail e número de celular. É um processo simples e rápido.
Solicite a garantia: Dentro do app, haverá uma opção para “Solicitar minha garantia”. O sistema vai identificar automaticamente que você é cliente da Will Financeira e mostrar o valor que você tem a receber.
Assine o termo e informe uma conta para receber: Você precisará concordar com um termo digital (é como uma assinatura online). Depois, indique uma conta bancária em outro banco (Nubank, C6, Banco do Brasil, etc.) para receber o dinheiro. A conta precisa estar no seu nome (mesmo CPF). A melhor opção é usar sua chave Pix (CPF).
Aguarde o pagamento: Após a solicitação, o FGC fará a análise e depositará o dinheiro na conta que você informou. O processo é desenhado para ser rápido.
Lembre-se: todo o processo é 100% gratuito. Se alguém te cobrar qualquer valor para “acelerar” ou “liberar” seu dinheiro do FGC, é golpe.
Qual o prazo para o FGC pagar? O que esperar do calendário
Essa é a pergunta de um milhão de reais. A resposta oficial do FGC é que os pagamentos começam em poucos dias após a decretação da liquidação.
A lei dá um prazo, mas na prática, o FGC tem se esforçado para pagar rápido, geralmente em até 30 dias.
No caso do grupo que inclui a Will Financeira, o FGC já iniciou os pagamentos para os clientes da Master, que foi a primeira da fila. A expectativa é que o calendário para os clientes da Will seja divulgado na sequência, provavelmente entre fevereiro e março de 2026.
A melhor dica é: monitore o aplicativo do FGC diariamente. Assim que o pagamento para os clientes da Will for liberado, você será um dos primeiros a saber e a poder solicitar. Não precisa de ansiedade, mas sim de ação e acompanhamento.
Tenho mais de R$ 250 mil. E agora?
Aqui a situação fica mais delicada. O FGC é claro: a garantia cobre apenas até R$ 250 mil.
Se você tinha um valor superior a esse na Will Financeira, o FGC pagará o teto de R$ 250 mil.
O valor que ultrapassar esse limite (o excedente) não está perdido, mas também não tem garantia de recebimento. Ele entra no que o mercado chama de “massa falida”.
Na prática, você vira um credor da Will. A empresa terá seus bens e ativos levantados e vendidos para pagar as dívidas. Existe uma fila de prioridades para receber, e os clientes comuns estão nela.
Infelizmente, esse processo é lento, burocrático e sem garantia de que você receberá 100% do valor excedente. Pode levar anos.
A grande lição aqui é a diversificação. Se você acumular mais de R$ 250 mil, a estratégia mais segura é dividir esse valor em diferentes instituições financeiras, todas cobertas pelo FGC.
Direitos do consumidor: O que fazer se seu pedido for negado
E se algo der errado? Se, por algum motivo, o FGC negar seu pedido ou o valor estiver incorreto?
Primeiro, não se desespere. Existe um caminho para contestar.
Você pode enviar um recurso diretamente pelo aplicativo ou site do FGC. É fundamental anexar todos os comprovantes que você tiver: extratos antigos, contratos de investimento, qualquer documento que prove o saldo que você tinha na Will.
O prazo para fazer isso é de 30 dias após a negativa.
Se mesmo assim não resolver, você pode buscar ajuda em outros canais:
- Procon: O órgão de defesa do consumidor do seu estado pode te orientar. Você pode registrar uma reclamação online ou pelo telefone (151 em São Paulo, por exemplo).
- Banco Central: O BC é o “chefe” do sistema financeiro. Você pode registrar uma reclamação formal no site do BC (bcb.gov.br/reclame) ou pelo telefone 145.
- Consumidor.gov.br: É uma plataforma do governo para mediação de conflitos entre consumidores e empresas. Vale a pena registrar sua queixa lá.
Alerta máximo! Como se proteger de golpes usando o nome do Will Bank
Momentos de crise são um prato cheio para golpistas. Eles se aproveitam do desespero e da falta de informação das pessoas. Fique muito atento!
Os golpes mais comuns que já estão circulando são:
- Falsos sites e aplicativos: Criam páginas com nomes como “Will Recupera” ou “FGC Pagamentos” para roubar seus dados pessoais e bancários. Use APENAS o site oficial fgc.org.br e o app oficial da sua loja de aplicativos.
- Links por SMS ou WhatsApp: Enviam mensagens com um tom de urgência, dizendo “Clique aqui para liberar seu dinheiro agora”. Esses links instalam vírus no seu celular ou te levam para páginas falsas.
- Falsos funcionários: Pessoas que ligam ou mandam mensagem se passando por funcionários do Banco Central, do FGC ou da própria Will, pedindo seus dados ou, pior, pedindo um “depósito de segurança” para liberar um valor maior.
- Advogados “salvadores”: Grupos em redes sociais com supostos advogados que prometem acelerar o processo mediante o pagamento de honorários iniciais. Não caia nessa. O processo do FGC é direto e não precisa de intermediários.
A regra de ouro é: O FGC NUNCA, JAMAIS, em hipótese alguma, vai te cobrar uma taxa para devolver o seu dinheiro. A devolução é um direito seu e é gratuita.

A liquidação da Will Financeira é um risco para Nubank e C6?
A quebra de uma instituição sempre gera medo. Será que meu banco digital, como o Nubank, Inter ou C6 Bank, também pode quebrar?
É uma pergunta justa, mas a resposta, por enquanto, é não. A situação da Will Financeira é específica e não representa uma crise no sistema de bancos digitais como um todo.
Existem diferenças importantes. Instituições como Nubank, Inter e C6 Bank são muito maiores, com milhões de clientes, operações mais complexas e, em geral, uma saúde financeira mais robusta e fiscalizada de perto pelo Banco Central.
Além disso, eles operam como “bancos múltiplos” ou “bancos comerciais”, uma categoria diferente de uma “financeira”. Isso implica em regras de regulação e de capital muito mais rígidas.
O caso da Will serve mais como um alerta sobre a importância de saber onde você está colocando seu dinheiro, do que como um sinal de que os grandes bancos digitais estão em risco.
Lições para o futuro: como escolher um banco digital mais seguro
A experiência da Will Financeira, embora traumática para os clientes, nos deixa lições valiosas para proteger nosso dinheiro no futuro.
Da próxima vez que você for abrir uma conta ou investir através de um banco digital ou fintech, siga este checklist básico de segurança:
- Consulte o Banco Central: Verifique se a instituição é autorizada a funcionar pelo BC. Você pode fazer isso no site oficial do Banco Central.
- Confirme a cobertura do FGC: Nem toda conta digital ou investimento tem a proteção do FGC. Verifique no site do FGC ou da própria instituição se o produto que você está contratando (conta, CDB, etc.) é garantido.
- Pesquise a reputação: Dê uma olhada no Reclame Aqui, no Procon e em notícias. Problemas operacionais e muitas reclamações podem ser um sinal de alerta.
- Entenda a diferença: Saiba se você está abrindo uma “conta de pagamento” (comum em fintechs menores, com regras de proteção diferentes) ou uma “conta corrente” em um banco. A segunda opção geralmente está ligada diretamente à proteção do FGC.
A diversificação, como já dissemos, é sua maior aliada. Evite concentrar todas as suas economias em um único lugar, especialmente se o valor se aproxima do teto do FGC.
Este momento é desafiador, mas você tem as ferramentas e a informação para superá-lo. Baixe o app do FGC, siga os passos e monitore as atualizações para receber seu dinheiro de volta.
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